Gestão Financeira: Como dar os primeiros passos?

Independentemente do propósito que um empreendedor afirma ter ao abrir uma empresa, sua finalidade sempre será a obtenção de lucro. E, para que isso aconteça, torna-se necessário controlar sua estrutura e praticar de forma assídua a gestão financeira.

Alguns empreendedores acreditam possuir informações suficientes para tomar decisões apenas com o levantamento dos dados relacionados às entradas e saídas de recursos em sua empresa, quando na verdade, isso representa apenas uma pequena parte do que deve ser administrado e controlado.

Porém, antes que seja possível traçar o caminho extraordinário, torna-se necessário começar pelo que é básico, e neste momento, alguns controles podem ajudar:

  • Contas a pagar: relacione todas as suas contas a pagar – previstas e realizadas – por data de vencimento, assim você terá um cenário de suas obrigações financeiras a pequeno, médio e longo prazo;
  • Contas a receber: relacione todos os seus recebimentos previstos e realizados por data de vencimento, assim você terá um cenário de suas entradas financeiras a pequeno, médio e longo prazo;
  • Conciliação Bancária: realize de forma constante uma comparação entre os controles internos feitos por você e o extrato do banco, para avaliar se o que estava previsto, de fato, aconteceu;

Após ter realizado este levantamento básico de informações, torna-se necessário realizar um cruzamento dos dados, ou seja, avaliar em cada período, se os recebíveis previstos serão suficientes para arcar com as obrigações previstas.

Se o cruzamento indicar que haverá um período onde as obrigações serão superiores aos recebimentos, providências antecipadas poderão ser tomadas, evitando a obtenção de empréstimos, por exemplo. Essa situação muitas vezes pode ser resolvida com uma negociação simples, de forma a postergar alguns pagamentos de fornecedores ou conseguir a antecipação de recebíveis de clientes. Um controle financeiro completo auxilia na tomada de decisão, fazendo com que o empreendedor consiga ter visibilidade das possibilidades de redução de despesas, assim como, das possibilidades de direcionamento de esforço para aumento da receita. Indicadores também podem auxiliar nesse caminho.

Empreendedorismo: A Franquia como uma opção de negócio.

Abrir um negócio pode ser muito mais desafiador do que se imagina. Em um mercado competitivo, o sonho de ser patrão de si mesmo requer muita assertividade e jogo de cintura. Descobrir um modelo de negócios inovador, escolher o nome da marca, qual será o nicho de clientes, o melhor ponto comercial, desenvolver os fornecedores, lidar com a burocracia brasileira e todas as demais decisões que envolvem um negócio, definitivamente não é uma tarefa fácil.

Para aqueles que querem empreender, mas ainda não tem uma ideia inovadora, as franquias de sucesso tornam-se uma boa opção! Empreender no ramo de franquias pode ser mais vantajoso para aqueles que querem abrir seu próprio negócio, especialmente pelo fato de que não é necessário começar tudo do zero. A loja de franquia é um modelo testado, que já oferece a marca, o conceito, a rede de fornecedores, a gestão com treinamento e o plano de expansão.

O mercado de Franquias do Brasil é um dos maiores do mundo e mesmo com o histórico de crises do país, tem apresentado crescimento. Em 2018 o setor cresceu quase 7% quando comparado ao ano anterior, faturando mais de R$170 milhões, e a expectativa para 2019 também é otimista.

O sucesso, entretanto, não é garantido. É preciso que o empreendedor tenha conhecimento do negócio, entenda sobre administração e esteja preparado para os desafios de empreender. Afinal, conforme uma das premissas da Smart, “não há gestão que resolva problema de um empreendedor ruim”.

O que é uma franquia?

Uma franquia nada mais é que um modelo de negócio cuja operação é copiada e transferida para outro ponto comercial, com autorização de quem criou o modelo inicial e detém os direitos da marca.

O modelo é composto por dois atores principais: A Franqueadora e o Franqueado. O primeiro refere-se a empresas já estabelecidas que compartilham seu modelo de negócio com empreendedores que possuem capacidade técnica e financeira e, se identificam com a marca. O segundo são os empreendedores que buscam por um negócio já estruturado e testado para investir seu tempo e capital.

O sistema de franquias não parou de evoluir, com maior foco no relacionamento entre franqueadoras e franqueados e, atualmente, com novos modelos de negócios.

Conforme quadro acima, o boom do mercado de Franquia foi na década de 80, quando muitas empresas começaram a adotar esse modelo de negócios. Na década seguinte, com a chegada da internet e a velocidade da globalização, a profissionalização dos processos aumentou e os franqueados tornaram-se mais exigentes e informados.

Segundo alguns especialistas, o mercado já vive sua 4ª geração, conhecida como a Era do Learning Network, em que além do repasse contínuo e mais ágil do know-how entre os envolvidos, cada vez mais, os franqueados participam ativamente das decisões estratégicas das franqueadoras.

O mercado de Franquias hoje

No terceiro trimestre de 2018, o setor de franquias movimentou R$ 44,7 bilhões, de acordo com dados da ABF (Associação Brasileira de Franchising). Um crescimento de 6,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número é cinco vezes maior que a estimativa de aumento do PIB brasileiro para o mesmo período – que é de 1,2%.  Ainda segundo a associação, o número de marcas cresceu 1% em 2018 e o total de unidades em operação no Brasil avançou 5%.

As expectativas para 2019 também estão aquecidas, a ABF estima uma expansão das unidades entre 5% e 6%, e um avanço de 1% no número de redes. O fechamento do primeiro trimestre desse ano já traz bons resultados, tendo o setor apresentado um crescimento nominal de 7%, um ritmo mais intenso que em 2018, quando no mesmo período o crescimento foi de 5,1%.

Em relação ao desempenho das franquias, de acordo com o Perfil das 50 Maiores Franquias do Brasil também divulgado pela ABF, há certa similaridade entre empresas e setores que dominaram o desempenho entre 2017 e 2018, conforme:

A rede O Boticário manteve-se em 1º lugar da lista em um patamar elevado e distante da vice-líder, com uma diferença superior a mil unidades ativas. Analisando o ano de 2018, apesar desse distanciamento em termos de unidades pela Rede, o setor de Beleza, Saúde e Bem-estar está em segundo lugar em termos de unidades por segmento no Brasil, atrás do segmento de Alimentação. Lembrando que essa análise inclui apenas as 50 maiores franquias do ano.

As maiores redes de franquias brasileiras, como as citadas acima, têm investido em novos formatos, como quiosques, unidades móveis e operações home based. E essa é uma tendência que, de acordo com a ABF, permanece em 2019.  “Novos formatos e modelos de negócios, sem perder o DNA da franquia, são alternativas, porque consegue-se entrar em pontos comerciais alternativos, como universidades, estações de trem, de metrô”. Esses formatos podem oferecer menores custos para montar uma franquia. “É um [tipo de] negócio que tem muito para crescer ainda no mercado brasileiro”, afirmou o presidente da ABF, André Friedheim.

Optar por empreender em franquias, é garantia de sucesso?

Mesmo que seja uma opção de negócio potencialmente mais simples do que abrir sua própria marca, decidir entrar no mundo das franquias não dispensa a necessidade de analisar muito bem a maturidade de cada franqueadora e suas propostas.

De acordo com um estudo da Franchise Solutions (2017) com 130 entrevistados que fecharam suas franquias, as principais causas para a mortalidade de negócios franqueados são:

Quando falamos em comércio, há uma decisão que se feita de forma errada, inviabilizará o negócio. O ponto comercial! Deve ser feito um estudo cauteloso do público-alvo, fluxo de passantes, estacionamentos na região, índice de crimes, acesso a transporte público e alguns outros aspectos. Algumas franqueadoras auxiliam o franqueado nessa escolha.

O mau planejamento do negócio faz com que haja a falta de capital de giro para sustentar a operação da empresa. Ao escolher uma franquia, não deixe de fazer o Ponto de Equilíbrio e um Fluxo de Caixa Projetado, para entender a necessidade de capital de giro esperada. A gestão e o acompanhamento dos indicadores financeiros são vitais para a saúde do negócio. (Confira nosso conteúdo sobre indicadores financeiros no link: http://smartie.com.br/a-importancia-dos-indicadores-financeiros/)

 A responsabilidade pela capacitação profissional dos franqueados é da franqueadora. Por isso, antes de escolher por uma franquia, converse com outros franqueados da marca e entenda o grau de maturidade de processos e treinamento oferecidos pela franqueadora.

A concorrência desleal, principalmente durante recessões econômicas, faz com que algumas franquias erroneamente diminuam suas margens de lucro, com o intuito de deixar o preço mais competitivo, e aumentem as condições de parcelamento, comprometendo inclusive seus fluxos de caixa.

E por último, o desconhecimento do mercado e, de novo, a falta de planejamento do negócio, pode fazer com que franquias sofram quedas bruscas de faturamento devido a sazonalidade do mercado.

Não existe receita mágica:

Empreendedorismo é diferente de um trabalho executivo. A rotina no mundo corporativo requer, na maioria das vezes, profissionais especialistas que entendam de uma área específica, como um diretor de operações, que conhece o produto e o mercado. Já na realidade de um empreendedor, há o desafio de aprender sobre todo o negócio e sobre o ambiente e contexto no qual ele está inserido.

É uma mudança de modelo mental, que traz consigo a necessidade de o interessado ter a capacidade de adquirir novas habilidades em sua área de ação. Será necessário se reinventar o tempo todo!

Para conseguir ter sucesso em um negócio próprio, seja ele uma franquia ou um novo modelo de negócios, é necessário ter um bom planejamento, com metas e objetivos a cumprir para evoluir seu ritmo de crescimento. O empreendedor precisa também saber negociar, liderar e ter pulso firme para a tomada de decisões, desde as mais simples na operação, até a possível demissão de funcionários. Outra atitude desejável é a resiliência, para prever e resistir as flutuações bruscas de mudança de mercado. O bom resultado de uma franquia, portanto, não advém do fato de o modelo ter sido testado e já funcionar. O sucesso e crescimento dependem do conhecimento do empreendedor, da escolha certa do tipo de franquia e franqueadora, da especialização dos profissionais e da gestão adequada do negócio. O empreendedor que decidir investir seu capital e tempo nesse tipo de modelo de negócios, pode sim sair em vantagem, mas será apenas o primeiro passo!